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Como é o tratamento para Transtorno De Ansiedade Generalizada (TAG)?

Atualizado: 23 de jul.

Por Me. Paula Mendonça

Psicóloga Mestre pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), com formação em Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) pelo Beck Institute e membra da Associação Brasileira de Psicologia Baseada em Evidências (ABPBE).


A ansiedade generalizada é um dos transtornos mais comuns na prática clínica. Trata-se de um estado de preocupação constante, um alerta persistente diante de perigos futuros — muitas vezes incertos. Embora a ansiedade em si tenha um papel importante para nossa sobrevivência, quando ela se torna excessiva e desproporcional, é necessário tratá-la de forma adequada.


Neste artigo, vamos entender como funciona o tratamento para quadros ansiosos, em especial para o transtorno de ansiedade generalizada.


O Que Está Por Trás da Ansiedade?


A ansiedade intensa está ligada a uma hiperativação de estruturas cerebrais primitivas, como a amígdala e a ínsula, responsáveis por identificar ameaças. Ao mesmo tempo, áreas mais evoluídas do cérebro, como o córtex pré-frontal, que nos ajudam a regular emoções e avaliar riscos com mais racionalidade, perdem sua capacidade de controle.


Essa desregulação está intimamente relacionada à falta de serotonina, um neurotransmissor essencial para o equilíbrio emocional.


O Tratamento da Ansiedade


O tratamento eficaz envolve dois pilares principais:


1. Mudanças no Estilo de Vida e Terapias


Essas abordagens atuam fortalecendo o cérebro para lidar melhor com o estresse e aumentar naturalmente os níveis de serotonina.


A. Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)

É o tipo de terapia mais estudado e eficaz para quadros ansiosos. A TCC ajuda o paciente a:

  • Reconhecer pensamentos e padrões que alimentam a ansiedade;

  • Desenvolver estratégias para lidar com situações de forma mais equilibrada.


B. Técnicas de Mindfulness (atenção plena)

O mindfulness é como uma “academia para o cérebro”. A prática regular:

  • Diminui a ativação da amígdala;

  • Aumenta a atividade do córtex frontal;

  • Ajuda o corpo a aprender a relaxar.


C. Exercícios Físicos e Atividades Corporais

Atividades como exercício físico regular, yoga e qualquer prática que aumente a conexão com o corpo e o momento presente são grandes aliadas no controle da ansiedade.

🕒 Importante: Essas mudanças no estilo de vida costumam levar cerca de 3 meses para apresentar resultados consistentes.

2. Uso de Medicações


Para casos mais intensos, ou quando as mudanças comportamentais não trazem alívio suficiente, é indicado o uso de medicamentos.


A. Antidepressivos Serotoninérgicos

São os chamados inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS). Apesar do nome “antidepressivos”, são indicados com eficácia para transtornos ansiosos. Importante saber:


  • Não causam dependência;

  • Demoram de 2 a 6 semanas para começar a fazer efeito;

  • Devem ser usados com um plano terapêutico com começo, meio e fim, sempre supervisionado por um profissional.


B. Ansiolíticos (Uso de Curto Prazo)

Para aliviar rapidamente os sintomas enquanto os antidepressivos ainda não fizeram efeito, podem ser utilizados os benzodiazepínicos (ex.: Frontal, Rivotril, Lorax, Lexotan).

Apesar de eficazes a curto prazo (atuam em cerca de 40 minutos), esses medicamentos podem causar dependência, afetar a memória e aumentar o risco de quedas, principalmente em idosos. Por isso:

  • São usados temporariamente;

  • Sempre com plano de retirada gradual.


Conclusão


O tratamento da ansiedade generalizada é possível, eficaz e deve ser individualizado. Ele combina intervenções comportamentais e, quando necessário, o uso consciente e controlado de medicações.


Se você desconfia que está sofrendo de ansiedade, não hesite em procurar um especialista. O objetivo do tratamento não é que você viva à base de medicamentos, mas sim que você conquiste autonomia emocional com o mínimo de intervenção química possível.


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Até o próximo artigo!

Me. Paula Mendonça




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