Como é o tratamento para Transtorno De Ansiedade Generalizada (TAG)?
- Paula Mendonça

- 18 de jul.
- 3 min de leitura
Atualizado: 23 de jul.
Por Me. Paula Mendonça
Psicóloga Mestre pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), com formação em Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) pelo Beck Institute e membra da Associação Brasileira de Psicologia Baseada em Evidências (ABPBE).
A ansiedade generalizada é um dos transtornos mais comuns na prática clínica. Trata-se de um estado de preocupação constante, um alerta persistente diante de perigos futuros — muitas vezes incertos. Embora a ansiedade em si tenha um papel importante para nossa sobrevivência, quando ela se torna excessiva e desproporcional, é necessário tratá-la de forma adequada.
Neste artigo, vamos entender como funciona o tratamento para quadros ansiosos, em especial para o transtorno de ansiedade generalizada.
O Que Está Por Trás da Ansiedade?
A ansiedade intensa está ligada a uma hiperativação de estruturas cerebrais primitivas, como a amígdala e a ínsula, responsáveis por identificar ameaças. Ao mesmo tempo, áreas mais evoluídas do cérebro, como o córtex pré-frontal, que nos ajudam a regular emoções e avaliar riscos com mais racionalidade, perdem sua capacidade de controle.
Essa desregulação está intimamente relacionada à falta de serotonina, um neurotransmissor essencial para o equilíbrio emocional.
O Tratamento da Ansiedade
O tratamento eficaz envolve dois pilares principais:
1. Mudanças no Estilo de Vida e Terapias
Essas abordagens atuam fortalecendo o cérebro para lidar melhor com o estresse e aumentar naturalmente os níveis de serotonina.
A. Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)
É o tipo de terapia mais estudado e eficaz para quadros ansiosos. A TCC ajuda o paciente a:
Reconhecer pensamentos e padrões que alimentam a ansiedade;
Desenvolver estratégias para lidar com situações de forma mais equilibrada.
B. Técnicas de Mindfulness (atenção plena)
O mindfulness é como uma “academia para o cérebro”. A prática regular:
Diminui a ativação da amígdala;
Aumenta a atividade do córtex frontal;
Ajuda o corpo a aprender a relaxar.
C. Exercícios Físicos e Atividades Corporais
Atividades como exercício físico regular, yoga e qualquer prática que aumente a conexão com o corpo e o momento presente são grandes aliadas no controle da ansiedade.
🕒 Importante: Essas mudanças no estilo de vida costumam levar cerca de 3 meses para apresentar resultados consistentes.
2. Uso de Medicações
Para casos mais intensos, ou quando as mudanças comportamentais não trazem alívio suficiente, é indicado o uso de medicamentos.
A. Antidepressivos Serotoninérgicos
São os chamados inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS). Apesar do nome “antidepressivos”, são indicados com eficácia para transtornos ansiosos. Importante saber:
Não causam dependência;
Demoram de 2 a 6 semanas para começar a fazer efeito;
Devem ser usados com um plano terapêutico com começo, meio e fim, sempre supervisionado por um profissional.
B. Ansiolíticos (Uso de Curto Prazo)
Para aliviar rapidamente os sintomas enquanto os antidepressivos ainda não fizeram efeito, podem ser utilizados os benzodiazepínicos (ex.: Frontal, Rivotril, Lorax, Lexotan).
Apesar de eficazes a curto prazo (atuam em cerca de 40 minutos), esses medicamentos podem causar dependência, afetar a memória e aumentar o risco de quedas, principalmente em idosos. Por isso:
São usados temporariamente;
Sempre com plano de retirada gradual.
Conclusão
O tratamento da ansiedade generalizada é possível, eficaz e deve ser individualizado. Ele combina intervenções comportamentais e, quando necessário, o uso consciente e controlado de medicações.
Se você desconfia que está sofrendo de ansiedade, não hesite em procurar um especialista. O objetivo do tratamento não é que você viva à base de medicamentos, mas sim que você conquiste autonomia emocional com o mínimo de intervenção química possível.
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Até o próximo artigo!
Me. Paula Mendonça

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